Projecto Programático "Artemosferas" & "Espaço Artes Múltiplas - Intervenção Artística e Cultural, Porto":

© Alexandre A. R. COSTA, com António Jorge Quadros, Gaspar Brito, Jorge Fernando dos Santos, Maria João Seabra, Miguel Seabra.

Ano da realização/apresentação:
2000-2003

Formato(s):
projeto artístico e cultural/ programático/ cooperativo

Síntese histórica:

O projeto programático “Artemosferas” decorreu no “Espaço Artes Múltiplas - I.A.C.”, Porto – um género de extensão orgânica (sede do Artemosferas). O EAM-IAC teve como ponto de partida a reabilitação completa de um edifício de quatros pisos nascendo da iniciativa de alguns jovens formados maioritariamente na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto [FBAUP]. Alexandre A. R. Costa e Jorge Fernando dos Santos (FBAUP) trocam impressões sobre um projeto com estas características por volta de 1997, no ano seguinte contactam António Jorge Quadros (ESAP) que se mostra bastante renitente mas acaba por se juntar a estes, sendo que em 1999 quando comentam com um outro colega, Miguel Seabra (FBAUP) as ideias que tinham vindo a desenvolver, obtiveram um positivo feedback, ele mesmo e a sua irmã - Maria João Seabra (FBAUP) e Gaspar Brito, tinham em mente um projeto semelhante, e andavam igualmente à procura de elementos com perfil para encarar um desafio neste território da mediação artística (das artes plásticas e, com ideias também para artes aplicadas...). Daí a uma união desses dois projetos com “semelhanças”, foram apenas necessárias algumas reuniões entre as partes, sendo que havia sido já convidado um outro possível colaborador: Paulo “Gonzo” (Ballet Teatro), e que haveria de ter um curto papel no projeto desistindo pouco depois do início do mesmo. A possibilidade da sustentabilidade (financeira) do projeto, alicerçada por determinados serviços a propor no interior do espaço, alimentariam a realização das atividades artísticas em programa, sendo determinante para se avançar efetivamente para a realização integral do projeto “Artemosferas” (previsto no mínimo para dois anos). O recurso às artes aplicadas e a efetiva organização por sectores das equipas de trabalho no “Espaço Artes Múltiplas – Intervenção Artística e Cultural” foram entre outras, as estratégias que o grupo considerou.

Toda uma forma de pensar, de assumir uma posição filosófico/ideológica, crítica e autocrítica foi colocada em prática a partir do momento que se estabeleceram as premissas estruturais. As artes plásticas e as outras linguagens artísticas, tinham então um “novo” espaço para a experimentação, e uma programação assente em critérios bem definidos – a procura de construção de um sistema emergente, relacional – intersubjetivo – a partir de uma diversidade de artistas que vinham a apresentar trabalhos (sendo destacados pela pertinência das suas propostas) nos anos 90... O objectivo seria reforçar esta geração e apoiar jovens com trabalho e perfil que para nós tinham trabalho crível e que saíam agora das Escolas de Arte e, se viam confrontados com o marasmo expositivo ou o sistema institucional que apresentava imensas dificuldades de “abertura” a propostas menos convencionais ou a artistas em fase emergente. Para isso foi determinante a própria localização do edifício sede, que foi criteriosamente escolhido próximo da Faculdade de Belas Artes, e com a qual o projeto acabou por estabelecer uma intensa relação de parceria.

Será importante ainda referir que o projeto programático "Artemosferas" mereceu o apoio e reconhecimento da sua importância cultural, por parte do I.A.C. - Instituto de Arte Contemporânea do Ministério da Cultura do Governo de Portugal, tendo como avaliador o subdiretor de então, Nuno Faria.

Eis o texto original que o projeto programático "Artemosferas" apresentou no seu Dossier de apresentação (apenas com algumas adaptações inerentes à reformulação que se pretende agora para o pretérito perfeito):

O “Artemosferas”, nasceu dentro de um território das artes plásticas motivando-se a si próprio como uma espécie de catalisador na interiorização, bem como na denúncia das diversas problemáticas que rodeiam o complexo ser humano, às suas próprias motivações, receios e medos que são o espelho de uma geração “cibernética” inteiramente subvertida a uma sociedade mediática e consumista, a geração 90. E foi pelo alinhamento da arte contemporânea que o Artemosferas se apresentou ao exterior como um projeto multi-artes contendo esse propulsor geracional e afirmando-se como uma nova proposta e aposta cultural no meio artístico português na abertura de um novo século.
Sendo através das artes plásticas que este projeto transfere o seu maior impacto ao realizar exposições, project-rooms e workshops, é contudo na sua estratégia de minimização dos gastos que estes eventos implicam...resultando na reabilitação de um edifício e estabelecendo-se uma estrutura criativa com vertente jurídica assumida: "Espaço Artes Múltiplas I.A.C.", que ressurge um ideal (dentro de um espírito da escola Bauhaus), como seja a conexão do design de mobiliário, gráfico, cenografia, decoração e o vitrinismo, a uma percepção cuidada e atenta dos artistas desta geração. O projeto Artemosferas reformulou todo o conceito gestaltiano num inteiro edifício criando uma orgânica total, um uno de essência, aproximando até ao seu limite a criação artística (enquanto obra de arte ) aos diversos gabinetes de “artes aplicadas”...
Este conceito estrutural estendeu-se a todo o edifício “Espaço Artes Múltiplas I.A.C.”:
> no Piso 1-R/C situava-se o jardim, galeria de arte contemporânea e o subprojeto “In-side-out”;
> no Piso 2 situava-se o café, espaço que compreende multi-eventos desde projeções audiovisuais e palestras, revistas, livros e CD's, estabelecendo-se aqui parecerias com a Matéria Prima ou a Assírio & Alvim na área dos cd`s e dos livros respectivamente;
> no Piso 3 situavam-se os project-rooms, espaços destinados a diversos workshops e eventos musicais, contando ainda com um género de "espaço de reflexão e leitura";
> no Piso 4 situa-se o projeto Artemosferadesign: gabinetes/atelier/projeto de design gráfico e mobiliário, cenografia, vitrinismo e decoração.
Todos estes sectores envolviam-se numa dinâmica constante em todo o edifício, usufruindo o visitante, espectador ou cliente, de diversas atividades de carácter ativo e/ou participativo, desde a formação cultural à visita da exposição patente, da solicitação do serviço de design à refeição vegetariana no espaço do café, confrontando-o através de uma linha de pensamento, que se confrontava com toda a problemática do universo da arte contemporânea.
O projeto programático Artemosferas e o “Espaço Artes Múltiplas - I.A.C.”, apresentaram-se assim em 2000-2001 como um espaço alternativo ao circuito formal de galeria, com o objectivo de promover as artes plásticas com uma linha autoral emergente, de artistas jovens, com projeção ou não, tendo trabalho afirmado a partir da década de 90.
Sendo um projeto interventivo e com a intenção de obter feedbacks de várias áreas artísticas e dos seus agentes diretos, paralelamente ao programa de exposições, a dinâmica curatorial esteve aberta a propostas de artistas às diversas áreas das artes plásticas - instalação; performance; música/dj; vídeo; projeção de filmes; poesia; palestras e conferências; parcerias com associações/instituições públicas e privadas.

Inauguração 07 de Abril de 2001.
Encerramento em Janeiro de 2003.

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Projecto Programático "Artemosferas" & "Espaço Artes Múltiplas - Intervenção Artística e Cultural, Porto":

© Alexandre A. R. COSTA, com António Jorge Quadros, Gaspar Brito, Jorge Fernando dos Santos, Maria João Seabra, Miguel Seabra.

Ano da realização/apresentação:
2000-2003

Formato(s):
projeto artístico e cultural/ programático/ cooperativo

Síntese histórica:

O projeto programático “Artemosferas” decorreu no “Espaço Artes Múltiplas - I.A.C.”, Porto – um género de extensão orgânica (sede do Artemosferas). O EAM-IAC teve como ponto de partida a reabilitação completa de um edifício de quatros pisos nascendo da iniciativa de alguns jovens formados maioritariamente na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto [FBAUP]. Alexandre A. R. Costa e Jorge Fernando dos Santos (FBAUP) trocam impressões sobre um projeto com estas características por volta de 1997, no ano seguinte contactam António Jorge Quadros (ESAP) que se mostra bastante renitente mas acaba por se juntar a estes, sendo que em 1999 quando comentam com um outro colega, Miguel Seabra (FBAUP) as ideias que tinham vindo a desenvolver, obtiveram um positivo feedback, ele mesmo e a sua irmã - Maria João Seabra (FBAUP) e Gaspar Brito, tinham em mente um projeto semelhante, e andavam igualmente à procura de elementos com perfil para encarar um desafio neste território da mediação artística (das artes plásticas e, com ideias também para artes aplicadas...). Daí a uma união desses dois projetos com “semelhanças”, foram apenas necessárias algumas reuniões entre as partes, sendo que havia sido já convidado um outro possível colaborador: Paulo “Gonzo” (Ballet Teatro), e que haveria de ter um curto papel no projeto desistindo pouco depois do início do mesmo. A possibilidade da sustentabilidade (financeira) do projeto, alicerçada por determinados serviços a propor no interior do espaço, alimentariam a realização das atividades artísticas em programa, sendo determinante para se avançar efetivamente para a realização integral do projeto “Artemosferas” (previsto no mínimo para dois anos). O recurso às artes aplicadas e a efetiva organização por sectores das equipas de trabalho no “Espaço Artes Múltiplas – Intervenção Artística e Cultural” foram entre outras, as estratégias que o grupo considerou.

Toda uma forma de pensar, de assumir uma posição filosófico/ideológica, crítica e autocrítica foi colocada em prática a partir do momento que se estabeleceram as premissas estruturais. As artes plásticas e as outras linguagens artísticas, tinham então um “novo” espaço para a experimentação, e uma programação assente em critérios bem definidos – a procura de construção de um sistema emergente, relacional – intersubjetivo – a partir de uma diversidade de artistas que vinham a apresentar trabalhos (sendo destacados pela pertinência das suas propostas) nos anos 90... O objectivo seria reforçar esta geração e apoiar jovens com trabalho e perfil que para nós tinham trabalho crível e que saíam agora das Escolas de Arte e, se viam confrontados com o marasmo expositivo ou o sistema institucional que apresentava imensas dificuldades de “abertura” a propostas menos convencionais ou a artistas em fase emergente. Para isso foi determinante a própria localização do edifício sede, que foi criteriosamente escolhido próximo da Faculdade de Belas Artes, e com a qual o projeto acabou por estabelecer uma intensa relação de parceria.

Será importante ainda referir que o projeto programático "Artemosferas" mereceu o apoio e reconhecimento da sua importância cultural, por parte do I.A.C. - Instituto de Arte Contemporânea do Ministério da Cultura do Governo de Portugal, tendo como avaliador o subdiretor de então, Nuno Faria.

Eis o texto original que o projeto programático "Artemosferas" apresentou no seu Dossier de apresentação (apenas com algumas adaptações inerentes à reformulação que se pretende agora para o pretérito perfeito):

O “Artemosferas”, nasceu dentro de um território das artes plásticas motivando-se a si próprio como uma espécie de catalisador na interiorização, bem como na denúncia das diversas problemáticas que rodeiam o complexo ser humano, às suas próprias motivações, receios e medos que são o espelho de uma geração “cibernética” inteiramente subvertida a uma sociedade mediática e consumista, a geração 90. E foi pelo alinhamento da arte contemporânea que o Artemosferas se apresentou ao exterior como um projeto multi-artes contendo esse propulsor geracional e afirmando-se como uma nova proposta e aposta cultural no meio artístico português na abertura de um novo século.
Sendo através das artes plásticas que este projeto transfere o seu maior impacto ao realizar exposições, project-rooms e workshops, é contudo na sua estratégia de minimização dos gastos que estes eventos implicam...resultando na reabilitação de um edifício e estabelecendo-se uma estrutura criativa com vertente jurídica assumida: "Espaço Artes Múltiplas I.A.C.", que ressurge um ideal (dentro de um espírito da escola Bauhaus), como seja a conexão do design de mobiliário, gráfico, cenografia, decoração e o vitrinismo, a uma percepção cuidada e atenta dos artistas desta geração. O projeto Artemosferas reformulou todo o conceito gestaltiano num inteiro edifício criando uma orgânica total, um uno de essência, aproximando até ao seu limite a criação artística (enquanto obra de arte ) aos diversos gabinetes de “artes aplicadas”...
Este conceito estrutural estendeu-se a todo o edifício “Espaço Artes Múltiplas I.A.C.”:
> no Piso 1-R/C situava-se o jardim, galeria de arte contemporânea e o subprojeto “In-side-out”;
> no Piso 2 situava-se o café, espaço que compreende multi-eventos desde projeções audiovisuais e palestras, revistas, livros e CD's, estabelecendo-se aqui parecerias com a Matéria Prima ou a Assírio & Alvim na área dos cd`s e dos livros respectivamente;
> no Piso 3 situavam-se os project-rooms, espaços destinados a diversos workshops e eventos musicais, contando ainda com um género de "espaço de reflexão e leitura";
> no Piso 4 situa-se o projeto Artemosferadesign: gabinetes/atelier/projeto de design gráfico e mobiliário, cenografia, vitrinismo e decoração.
Todos estes sectores envolviam-se numa dinâmica constante em todo o edifício, usufruindo o visitante, espectador ou cliente, de diversas atividades de carácter ativo e/ou participativo, desde a formação cultural à visita da exposição patente, da solicitação do serviço de design à refeição vegetariana no espaço do café, confrontando-o através de uma linha de pensamento, que se confrontava com toda a problemática do universo da arte contemporânea.
O projeto programático Artemosferas e o “Espaço Artes Múltiplas - I.A.C.”, apresentaram-se assim em 2000-2001 como um espaço alternativo ao circuito formal de galeria, com o objectivo de promover as artes plásticas com uma linha autoral emergente, de artistas jovens, com projeção ou não, tendo trabalho afirmado a partir da década de 90.
Sendo um projeto interventivo e com a intenção de obter feedbacks de várias áreas artísticas e dos seus agentes diretos, paralelamente ao programa de exposições, a dinâmica curatorial esteve aberta a propostas de artistas às diversas áreas das artes plásticas - instalação; performance; música/dj; vídeo; projeção de filmes; poesia; palestras e conferências; parcerias com associações/instituições públicas e privadas.

Inauguração 07 de Abril de 2001.
Encerramento em Janeiro de 2003.

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