PROJETO "Mas Não Estava Lá Ninguém Para Ver"

© Alexandre A. R. COSTA

Realizado/apresentado em | Made/presented in:
2011

Formato/Meios | Art media:
[exposição individual > instalação, video, ação | solo exhibition installation, video, performance 2011]

Momentos (descrição); Contextos; Espaço e localização da apresentação/implantação do Projeto; Curador(es)/programadores/organizadores/responsáveis/coordenadores | Moments (description); Contexts; Space and location of the presentation/implementation of the Project; Curator(s)/programmers/organizers/managers/coordinators:

@ Extéril, Porto - Portugal.
ADDRESS Rua do Bonjardim, 1176. R/C - Porto, Portugal
Subway: Faria Guimarães/Marquês Pombal.
COORDINATION José Barbosa exteril@exteril.com

+

@ LINE UP EXTENSIONS & TEATRO DOS CASTELOS - MONTEMOR
(* Performance/Video Transmission: Passeio Contemporâneo - Alexandre A. R. Costa)
COORDINATION António Azenha, com José Vieira.

Opening: 21. 05. 2011, 22h
21. 05. 2011 - 02. 07. 2011

+PHOTOS:
http://www.exteril.com/exposicoes/2011/96_21mai_alexandre_r_costa/1_ac2011.html
+VIDEOS:
http://www.exteril.com/exposicoes/2011/96_21mai_alexandre_r_costa/cartaz_ac2011.html

Paper Information:

Mas não estava lá ninguém para ver
ou enquanto se constrói uma história dos artistas

Alexandre A. R. Costa
(Bolseiro Doutoramento, Fundação para a Ciência e Tecnologia)
Pontevedra, Maio, 2011

“Mas não estava lá ninguém para ver” é um fragmento de uma frase do livro de Steven Weinberg: Os primeiros três minutos do Universo. A intencionalidade desta apropriação e a sua utilização como título da exposição, não pretende lançar a dúvida especulativa sobre probabilidades evolucionistas, criacionistas ou outras quanto ao início do universo, ou no limite procurando isomorfismos, como, quando e de onde surgimos nós e a própria arte. Prende-se antes, e em parte, com a revelação da ideia de dúvida, de incerteza implicada na dificuldade de imaginarmos o grau de energia e velocidade presente no momento do Big Bang. Esta teoria sugere-nos imaginar uma expansão cosmológica em menos de um segundo e a partir de um ponto mais pequeno do que uma partícula sub-atómica.

A questão que se levanta é a de que o nosso universo de matéria/energia surge supostamente de um “nada”, ou melhor, de um pequeníssimo falso vácuo. O indivíduo contemporâneo confronta-se cada vez mais com um conhecimento do real que se vai revelando mais complexo do que poderíamos imaginar. Terão estes pressupostos científicos, associados à circunstância de nenhum ser humano ter estado presente nesse momento único, consequências para um processo de reflexão, não só da ciência, da filosofia ou da teologia, como também para um processo teórico-prático da arte dos nossos dias? De onde vem a matéria e a energia com que trabalhamos e vivemos? O que acontece de seguida? Quem explora, e de que forma, esta energia? Quais os objectivos destes intervenientes? E no sistema da arte contemporânea, como tudo isto acontece? De acordo com a segunda lei da termodinâmica, a entropia aumenta sempre no Universo, resultando num “congelamento” final, a morte térmica ou o designado: big freeze... Entretanto, a vida acontece (tal como a conhecemos neste planeta) e cá estamos nós, ainda que apenas numa fracção de tempo minúscula comparativamente com os estimados cerca de 140 mil milhões de anos desde o acontecimento que originou tudo isto.

Com o ser humano, surge a história dos conceitos como “arte”, “política”, “filosofia” ou “ciência”, e surge também a capacidade de relativizar ou dar mais ou menos importância a determinados acontecimentos e pessoas, criar cúmplices e cumplicidades, desenvolver a produção de discurso sobre tudo e sobre nada, considerar a existência da consciência, dos critérios, das regras e hierarquias, da organização e das organizações, dos sistemas de controlo e poder... e da mediação e especulação sobre o que é ou não “liberdade”. A par de uma necessidade epistemológica condicional a estas competências do indivíduo, o humano tem a necessidade de conhecimento generalizado sobre o real; os artistas fazem-no através da arte e de todas as formas físicas e intelectuais que dela resolvem fazer parte por diversos fatores e necessidades. O nosso real é a nossa prática neste momento em que vivemos, que mergulha nos discursos (de outras práticas), apropria-se e trabalha por cima desses, e os apresenta reorganizados, com uma outra autonomia discursiva. Sim, claro que é importante compreendermos e registarmos o legado do passado, para que possamos entender este real, este presente, por isso tentamos compreender as origens de tudo isto, numa pesquisa que se vai tornando mais complexa, à medida que a informação se acumula e carece de uma maior clareza precisamente ao nível dos discursos, das propostas.

Transportando-nos até a esta contemporaneidade da prática artística, e especialmente focando a atenção nesta exposição/instalação que encontra a Galeria Extéril como local de apresentação – um espaço “à margem do circuito institucionalizado de apresentação artística”, vamos encontrar uma relação de entendimento sobre a génese dos projetos com estas características de funcionamento, da sua (des)regulação ou processos de autonomia, de diversos mecanismos de confrontação entre: a ideia de história (como algo construído) versus o real e o seu registo non-stablishment, das manipulações ou regulações sistémicas (como coisa falsa) versus asilo, abrigo ou esconderijo (como mecanismo de proteção, local de resistência e guerrilha), etc. A intervenção neste espaço chama-se “Mas não estava lá ninguém para ver” por tudo isto e outras questões que neste texto não cabem, mas também poderia ter-se chamado “Enquanto se constrói uma história dos artistas”, em ambos os casos, denota-se a ideia de uma decepção perceptível que age assumidamente como parte do jogo. (Optei, porém, por não utilizar este segundo título por questões relacionadas com uma intencional focalização dispersiva; no entanto, aqui fica a nota).
Confrontando-se com a ideia do Big Bang, desse vácuo falso e da não-existência de um olhar testemunhal do ser humano nesse momento singular, a exposição/instalação apresentada na Galeria Extéril ganha possibilidades de leituras para o subjetivo, o imaginável, para a arte, revelando-se criticamente nesse território outros conceitos inerentes ao funcionamento dos mecanismos de poder como: perversão, construção, regra ou manipulação. A inevitabilidade desse suposto primeiro momento “explosivo” e sem público, que origina o expandido, o desordenado, o variável, lembra-nos do risco e da capacidade do desejo e ego do ser humano na construção de uma “paisagem” contemporânea, por onde possa assinalar a sua presença. A contemporaneidade em “suspensão” mostra-se-nos complexa, entre a expansão com um aumento de velocidade e uma zona de fracasso onde os processos de verificação são eles mesmos circunstanciais e fruto de fatores e regras inerentes a esses mecanismos de poder, de controlo.

É rigorosamente na possibilidade de uma análise crítica e de reformulação permanente deste território (em risco absoluto) que surge esta “Mas não estava lá ninguém para ver”. A transgressão do sentido dialético e das fronteiras materiais/físicas, pode dar-se nessa “zona” que é aparentemente validada, e onde encontra uma outra, dúbia mas real. Apresenta-se aí, como modelo, uma desmistificadora “imprevisibilidade” em diálogo e confronto.
Uma Performance intitulada “passeio contemporâneo” (implicada no resultado da própria obra apresentada) acontecerá no momento da inauguração, sendo a mesma transmitida em direto, via Skype, numa extensão do Festival de Arte da Performance - Line Up Action de Coimbra, evento que acontecerá em parceria com a Cooperativa de Teatro dos Castelos, e que inaugura em Montemor-o-Velho nessa mesma noite de 21 de Maio.

na folha de sala e publicado em:
http://www.exteril.com/exposicoes/2011/96_21mai_alexandre_r_costa/cartaz_ac2011.html (acedido em 21 de maio de 2011).

--

It can be seen in June 2011

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* A performance com transmissão de video: "Passeio Contemporâneo" de Alexandre A. R. Costa, apresentada em Montemor / Teatro dos Castelos, através de video-conferência simultaneamente durante a inauguração da exposição individual de Alexandre no Porto na Galeria Extéril, foi integrada no LINE UP ACTION EXTENSIONS, numa sessão que reunia outros artistas: Nome, Nuno Oliveira, Guida Chambel, Susana Xioka, António Lago.

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PROJETO "Mas Não Estava Lá Ninguém Para Ver"

© Alexandre A. R. COSTA

Realizado/apresentado em | Made/presented in:
2011

Formato/Meios | Art media:
[exposição individual > instalação, video, ação | solo exhibition installation, video, performance 2011]

Momentos (descrição); Contextos; Espaço e localização da apresentação/implantação do Projeto; Curador(es)/programadores/organizadores/responsáveis/coordenadores | Moments (description); Contexts; Space and location of the presentation/implementation of the Project; Curator(s)/programmers/organizers/managers/coordinators:

@ Extéril, Porto - Portugal.
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Subway: Faria Guimarães/Marquês Pombal.
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@ LINE UP EXTENSIONS & TEATRO DOS CASTELOS - MONTEMOR
(* Performance/Video Transmission: Passeio Contemporâneo - Alexandre A. R. Costa)
COORDINATION António Azenha, com José Vieira.

Opening: 21. 05. 2011, 22h
21. 05. 2011 - 02. 07. 2011

+PHOTOS:
http://www.exteril.com/exposicoes/2011/96_21mai_alexandre_r_costa/1_ac2011.html
+VIDEOS:
http://www.exteril.com/exposicoes/2011/96_21mai_alexandre_r_costa/cartaz_ac2011.html

Paper Information:

Mas não estava lá ninguém para ver
ou enquanto se constrói uma história dos artistas

Alexandre A. R. Costa
(Bolseiro Doutoramento, Fundação para a Ciência e Tecnologia)
Pontevedra, Maio, 2011

“Mas não estava lá ninguém para ver” é um fragmento de uma frase do livro de Steven Weinberg: Os primeiros três minutos do Universo. A intencionalidade desta apropriação e a sua utilização como título da exposição, não pretende lançar a dúvida especulativa sobre probabilidades evolucionistas, criacionistas ou outras quanto ao início do universo, ou no limite procurando isomorfismos, como, quando e de onde surgimos nós e a própria arte. Prende-se antes, e em parte, com a revelação da ideia de dúvida, de incerteza implicada na dificuldade de imaginarmos o grau de energia e velocidade presente no momento do Big Bang. Esta teoria sugere-nos imaginar uma expansão cosmológica em menos de um segundo e a partir de um ponto mais pequeno do que uma partícula sub-atómica.

A questão que se levanta é a de que o nosso universo de matéria/energia surge supostamente de um “nada”, ou melhor, de um pequeníssimo falso vácuo. O indivíduo contemporâneo confronta-se cada vez mais com um conhecimento do real que se vai revelando mais complexo do que poderíamos imaginar. Terão estes pressupostos científicos, associados à circunstância de nenhum ser humano ter estado presente nesse momento único, consequências para um processo de reflexão, não só da ciência, da filosofia ou da teologia, como também para um processo teórico-prático da arte dos nossos dias? De onde vem a matéria e a energia com que trabalhamos e vivemos? O que acontece de seguida? Quem explora, e de que forma, esta energia? Quais os objectivos destes intervenientes? E no sistema da arte contemporânea, como tudo isto acontece? De acordo com a segunda lei da termodinâmica, a entropia aumenta sempre no Universo, resultando num “congelamento” final, a morte térmica ou o designado: big freeze... Entretanto, a vida acontece (tal como a conhecemos neste planeta) e cá estamos nós, ainda que apenas numa fracção de tempo minúscula comparativamente com os estimados cerca de 140 mil milhões de anos desde o acontecimento que originou tudo isto.

Com o ser humano, surge a história dos conceitos como “arte”, “política”, “filosofia” ou “ciência”, e surge também a capacidade de relativizar ou dar mais ou menos importância a determinados acontecimentos e pessoas, criar cúmplices e cumplicidades, desenvolver a produção de discurso sobre tudo e sobre nada, considerar a existência da consciência, dos critérios, das regras e hierarquias, da organização e das organizações, dos sistemas de controlo e poder... e da mediação e especulação sobre o que é ou não “liberdade”. A par de uma necessidade epistemológica condicional a estas competências do indivíduo, o humano tem a necessidade de conhecimento generalizado sobre o real; os artistas fazem-no através da arte e de todas as formas físicas e intelectuais que dela resolvem fazer parte por diversos fatores e necessidades. O nosso real é a nossa prática neste momento em que vivemos, que mergulha nos discursos (de outras práticas), apropria-se e trabalha por cima desses, e os apresenta reorganizados, com uma outra autonomia discursiva. Sim, claro que é importante compreendermos e registarmos o legado do passado, para que possamos entender este real, este presente, por isso tentamos compreender as origens de tudo isto, numa pesquisa que se vai tornando mais complexa, à medida que a informação se acumula e carece de uma maior clareza precisamente ao nível dos discursos, das propostas.

Transportando-nos até a esta contemporaneidade da prática artística, e especialmente focando a atenção nesta exposição/instalação que encontra a Galeria Extéril como local de apresentação – um espaço “à margem do circuito institucionalizado de apresentação artística”, vamos encontrar uma relação de entendimento sobre a génese dos projetos com estas características de funcionamento, da sua (des)regulação ou processos de autonomia, de diversos mecanismos de confrontação entre: a ideia de história (como algo construído) versus o real e o seu registo non-stablishment, das manipulações ou regulações sistémicas (como coisa falsa) versus asilo, abrigo ou esconderijo (como mecanismo de proteção, local de resistência e guerrilha), etc. A intervenção neste espaço chama-se “Mas não estava lá ninguém para ver” por tudo isto e outras questões que neste texto não cabem, mas também poderia ter-se chamado “Enquanto se constrói uma história dos artistas”, em ambos os casos, denota-se a ideia de uma decepção perceptível que age assumidamente como parte do jogo. (Optei, porém, por não utilizar este segundo título por questões relacionadas com uma intencional focalização dispersiva; no entanto, aqui fica a nota).
Confrontando-se com a ideia do Big Bang, desse vácuo falso e da não-existência de um olhar testemunhal do ser humano nesse momento singular, a exposição/instalação apresentada na Galeria Extéril ganha possibilidades de leituras para o subjetivo, o imaginável, para a arte, revelando-se criticamente nesse território outros conceitos inerentes ao funcionamento dos mecanismos de poder como: perversão, construção, regra ou manipulação. A inevitabilidade desse suposto primeiro momento “explosivo” e sem público, que origina o expandido, o desordenado, o variável, lembra-nos do risco e da capacidade do desejo e ego do ser humano na construção de uma “paisagem” contemporânea, por onde possa assinalar a sua presença. A contemporaneidade em “suspensão” mostra-se-nos complexa, entre a expansão com um aumento de velocidade e uma zona de fracasso onde os processos de verificação são eles mesmos circunstanciais e fruto de fatores e regras inerentes a esses mecanismos de poder, de controlo.

É rigorosamente na possibilidade de uma análise crítica e de reformulação permanente deste território (em risco absoluto) que surge esta “Mas não estava lá ninguém para ver”. A transgressão do sentido dialético e das fronteiras materiais/físicas, pode dar-se nessa “zona” que é aparentemente validada, e onde encontra uma outra, dúbia mas real. Apresenta-se aí, como modelo, uma desmistificadora “imprevisibilidade” em diálogo e confronto.
Uma Performance intitulada “passeio contemporâneo” (implicada no resultado da própria obra apresentada) acontecerá no momento da inauguração, sendo a mesma transmitida em direto, via Skype, numa extensão do Festival de Arte da Performance - Line Up Action de Coimbra, evento que acontecerá em parceria com a Cooperativa de Teatro dos Castelos, e que inaugura em Montemor-o-Velho nessa mesma noite de 21 de Maio.

na folha de sala e publicado em:
http://www.exteril.com/exposicoes/2011/96_21mai_alexandre_r_costa/cartaz_ac2011.html (acedido em 21 de maio de 2011).

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* A performance com transmissão de video: "Passeio Contemporâneo" de Alexandre A. R. Costa, apresentada em Montemor / Teatro dos Castelos, através de video-conferência simultaneamente durante a inauguração da exposição individual de Alexandre no Porto na Galeria Extéril, foi integrada no LINE UP ACTION EXTENSIONS, numa sessão que reunia outros artistas: Nome, Nuno Oliveira, Guida Chambel, Susana Xioka, António Lago.

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